DST na terceira idade ainda é um tema polêmico, devido à complexidade clínica dessas enfermidades e da forma como é abordada nos idosos. Todavia, com as mudanças comportamentais e sexuais nessa faixa etária é preciso entender do assunto, pois o perfil de idosos no Brasil mudou consideravelmente.
Além disso, o tratamento das DST deve ser feito mediante a análise dos dois parceiros a fim de tratá-los simultaneamente e evitar recorrência ou disseminação para outros indivíduos do grupo social.
Outro problema a ser apresentado é o fato de como os profissionais clínicos devem lidar com a situação, para não causar constrangimento e com isso diminuir as chances de detecção do diagnóstico e o tratamento precoce.
Por isso, apresentaremos no post a seguir, informações sobre DST na terceira idade com ênfase nos fatores de incidência e prevenção. Acompanhe conosco!
DST na terceira idade: incidência alarmante
A incidência de DST na terceira idade vem preocupando os profissionais do cuidado clínico. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 4 a 5% da população acima de 65 anos apresentam alguma doença que foi transmitida sexualmente. Todavia, os especialistas consideram que os resultados não reflete a realidade, uma vez que os casos são subnotificados. Apesar das DST serem consideradas de notificação compulsória, muitos clínicos não encaminham esse formulário às secretarias de saúde.
E na grande maioria dos casos, o diagnóstico é observado após a exacerbação das doenças, algo que pode diminuir consideravelmente as chances de cura ou controle além de contaminar outros indivíduos durante o período assintomático.
DST: características clínicas na terceira idade
As principais doenças sexualmente transmissíveis geriatria são: sífilis, hepatite B e C e AIDS. A primeira acomete principalmente os órgãos genitais, mas pode atingir a circulação sistêmica e causar danos no sistema nervoso.
As hepatites B e C são importantes causas de insuficiência hepáticas, desenvolvimento de cirrose e câncer (principalmente o vírus da hepatite C) sendo que muitos idosos podem necessitar de transplante para resolver o problema. Além disso, a disfunção hepática causa sobrecarga do rim e pode facilitar o aparecimento de infecção urinária.
A AIDS vem crescendo vertiginosamente nessa população e pode causar além da debilidade do sistema imunológico, perda mineral óssea, doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e contribuir para o aparecimento da tuberculose como doença oportunista.
Aumento da DST na terceira idade: causas clínicas
Fragilidade do sistema imunológico
A maior incidência das DST na terceira idade decorre do fato da vulnerabilidade do sistema imunológico, condição inerente da velhice. Com isso, existe uma intensificação dos sintomas e complicações em curto prazo. Outra situação importante é o fato deles já possuírem doenças crônicas e consequentemente utilizarem medicamentos para essas enfermidades, o que os torna mais debilitados para novas infecções.
Dificuldade para detectar DST
Existe uma grande dificuldade para detectar essas enfermidades nos idosos, pois alguns sintomas são inespecíficos e somente os exames laboratoriais confirmarão o diagnóstico clínico. Sendo assim, cabe ao médico questionar sobre o comportamento sexual, assunto que poucas vezes é mencionado em uma consulta ao geriatra, de modo que ele possa rastrear as possibilidades de contágio das DST.
Crescimento dos casos de DST nos idosos: causa comportamentais
A grande incidência de DST nos idosos se deve ao fato dessa população ainda estar sexualmente ativa, comportamento que não se evidenciava antigamente. Soma-se a isso, ao fato dos indivíduos manterem relações amorosas mesmo após a viuvez ou divórcio. Todavia, apesar desse comportamento, muitos profissionais clínicos e a família não abordam adequadamente essa questão, mantendo o risco até o momento em que aparecem os sintomas.
Falta de informação sobre os riscos de contágio
Muitos idosos têm a falsa ideia de que os preservativos são indicados apenas para evitar a gravidez, ou que esse acessório é algo a ser utilizado na juventude, ampliando assim, as chances de contágio. Todavia, sabe-se que o preservativo masculino é capaz de impedir a penetração de micro-organismos que causam as DST durante as relações sexuais e por isso é fundamental manter essa prática para evitar a transmissão entre os indivíduos.
Abordagem do idoso com DST: etapas fundamentais
Uma vez que as relações amorosas ainda se mantêm nessa faixa etária é preciso conversar abertamente com os idosos. Para tanto é fundamental não ridicularizar esse comportamento e não infantilizar a conversa. Inicialmente deve ser abordada a questão do relacionamento: se ele acredita ser duradouro, quais são as formas de carinho que estão acontecendo e qual é a história de vida do parceiro ou parceira.
Posteriormente, deve ser introduzido o assunto sobre as formas de prevenção. Caso a tentativa tenha sido frustrada, deve-se comentar sutilmente sobre as questões envolvendo DST na velhice. Também é fundamental, se possível, descrever alguns comportamentos para o geriatra, de forma que ele questione explicitamente as relações sexuais que estão ocorrendo de forma clínica e não invasiva.
Fatores de prevenção: pontos cruciais
Uma vez diagnosticada a DST na terceira, o idoso deve iniciar o tratamento o quanto antes. Porém, muitos indivíduos se queixam das reações adversas e das complicações clínicas inerentes ao processo. Sendo assim, é imprescindível investir em estratégias de prevenção para evitar o desenvolvimento das DST na velhice, o que impacta significativamente na vida social dos que ainda almejam por bons momentos.
A primeira delas é fazer exames periódicos regularmente e incluir os testes para detecção de DST. Também é preciso sensibilizar o idoso para o uso de preservativo, mesmo para aqueles que mantêm um relacionamento amoroso sólido e duradouro. Assim como são recomendadas conversas informais sobre o assunto, comunicar sobre a disponibilização de preservativos gratuitos nas unidades básicas de saúde, e mostra-se preocupado com a saúde do ente querido.
DST na terceira idade ainda é um tabu tanto para os idosos quanto para os familiares e profissionais clínicos. Todavia, a incidência da doença nessa população é uma alerta para que todos os envolvidos nos cuidados geriátricos possam compreender o comportamento sexual como algo normal do envelhecimento saudável. Ademais, todos devem orientar sobre os riscos de contágio devido e as complicações clínicas provenientes da relação sexual sem precaução.
E você, gostou do nosso texto? Então, curta nossa página no Facebook e acompanhe outros conteúdos sobre o assunto!